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quarta-feira, 24 de março de 2010

Grutas de São Vicente

Uma das atracções turísticas da Ilha da Madeira são as grutas de S. Vicente. São de origem vulcânica e situam-se no norte da ilha. Recentemente voltei lá e pude reapreciar o “trabalho” da Natureza feito a alguns milhares de anos atrás.
De acordo com os especialistas, as grutas mais não são que tubos por onde escoou a lava proveniente dos antigos vulcões que criaram esta massa de terra conhecida por Pérola do Atlântico.
Num percurso não muito extenso, podemos ver o resultado da passagem da lava e também da acumulação de alguns obstáculos que moldaram a forma das grutas.
O Centro de Vulcanismo também é um local interessante pois, através de algumas simulações, permite-nos conhecer a origem e formação do arquipélago da Madeira, bem como efectuar uma viagem virtual ao interior da Terra.

Rota da cal

No passado existiam no arquipélago da Madeira diversas explorações mineiras de pedra calcária para a transformar em cal. Recentemente fui visitar uma dessas antigas explorações em S. Vicente. Infelizmente chovia, não tendo sido possível visitar todos os aspectos da antiga exploração.

A pedra era extraída das pedreiras e transportada às costas para o local onde se situava o forno. Aí era partida em pequenos bocados com o tamanho de um punho. Outros homens dedicavam-se ao corte e transporte da lenha para alimentar o fogo do forno que cozia a pedra.

Forno de cal

A pedra e a lenha eram empilhadas em camadas alternadas, até uma altura aproximada de 5,5 m. Depois era só pegar fogo e esperar pelo dia seguinte até toda a lenha ter sido consumida e a pedra cozida. A cozedura da pedra calcária transformava-a em cal em pedra, por libertação do dióxido de carbono existente no calcário.

Após a cozedura, a pedra de cal era retirada do forno, seleccionada e embalada. Também se utilizava a água para desfazer em bocados mais pequenos as pedras de cal maiores. E, como habitualmente, toda a água necessária, e era muita, tinha de ser transportada às costas, em barris de madeira de 50 litros.

A cal tinha, e ainda tem, algumas aplicações. Antigamente as linhas dos campos de futebol eram marcadas com cal. O problema era quando chovia ou quando um jogador, com a perna ferida, entrava em contacto com ela … era doloroso. Também se utilizava a cal para pintar (caiar) as casas. A cal ainda é utilizada na pintura das estradas regionais, para assinalar os limites das estradas e os obstáculos mais perigosos. A cal também é utilizada para a correcção do pH dos solos. É adicionada aos solos demasiado ácidos. Em laboratório, as soluções aquosas de cal também são utilizadas para identificar o dióxido de carbono.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Plágio e internet

Actualmente está em cima da mesa uma discussão mais ou menos acesa sobre o plágio puro simples que aos alunos fazem ao elaborar os seus trabalhos. O "problema" parece ter também atingido em força as universidades, de tal modo que em algumas os trabalhos dos alunos são obrigatoriamente entregues a um gabinete de triagem prévia (novo lápis azul?) antes de serem encaminhados para os docentes das cadeiras. Aos docentes só são entregues os trabalhos considerados "originais". Sempre são menos para corrigir ...

Mas afinal o que é plágio? Umas das definições (Wikipédia) diz que "é o acto de se apropriar e/ou utilizar parte ou todo o trabalho de outro autor, sem o mencionar." Correcto. Mas será que a mera indicação das fontes melhora o trabalho nelas baseado? Não me parece. Na verdade podemos citar centenas de obras num trabalho e o resultado final não passar de lana caprina.

A minha própria experiência diz-me que, por vezes, a qualidade de um trabalho é directamente proporcional à quantidade de citações e referências bibliográficas que se fazem. É relativamente fácil construir um artigo, onde nada de novo se diz, fazendo uma compilação e reorganização frásica de um conjunto mais ou menos vasto de conclusões e/ou opiniões de outros autores. Não será isto poliplágio (desconheço se a palavra existe, mas à falta de melhor terá de servir)?

No caso das ciências experimentais é cada vez mais frequente os alunos, no Ensino Secundário, se limitarem a fazer o copy & paste do que encontram na internet ou do que obtiveram dos colegas de anos anteriores. Por vezes nem se dão ao trabalho de alterar os valores ou os nomes das substâncias ... O resultado é não fazerem a mais pequena ideia do que aquilo significa e porque razão é assim. Nestas actividades o resultado geralmente não é o mais importante, mas sim a interpretação dos dados obtidos e a confrontação dos mesmos com as previsões efectuadas. Se para algumas observações é fácil explicar os resultados, para outras exige-se um pouco mais de pesquisa.